Ao usar da palavra, o PDG, Engº João Avelino, teceu várias considerações sobre as diferentes etapas percorridas pela empresa durante e pôs conflito armado em Angola.
Falando da era em que a Angola Telecom detinha o monopólio das comunicações no país, o PDG da Angola Telecom disse que os avanços no desenvolvimento das telecomunicações não foram significativos devido ao conflito armado registado na altura.
“Tivemos as infra-estruturas completamente destruídas ao nível da transmissão terrestre, assim como os edifícios técnicos, os links, repetidores, torres e comutadores. Só na infra-estrutura da rede básica, o parque foi destruído na ordem dos 70 por cento" exceptuando Luanda.
Adiantou dizendo que aliado ao conflito armado, os fracos investimentos registados também condicionaram no período em referência, o desenvolvimento da empresa.
No que toca ao papel do Estado, o Engº João Avelino, enfatizou, que o desenvolvimento das redes estruturantes dos países que hoje podemos considerar desenvolvidos, foram fundamentalmente sustentados pelo próprio Estado. Portanto, a intervenção do Estado é imprescindível para este crescimento, não só devido as avultadas somas que o sector das telecomunicações requere, mas também devido ao próprio papel social do sector e de algum modo, uma certa componente política também, que está ligada a necessidade de prestação de serviço público, principalmente em localidades onde não é assegurado o retorno do investimento.
Sobre a entrada de novos operadores de redes móveis e fixas, o PDG da Angola Telecom, frisou que, com a liberalização do mercado, o papel do operador incumbente neste caso, Angola Telecom, alterou-se de certa forma. Até a bem pouco tempo, o papel fundamental da Angola Telecom como operador incumbente, era fundamentalmente o de atender a última milha para estabelecer as redes locais nas diversas localidades onde era possível, onde havia alguma paz, uma paz relativa que permitia instalar determinadas redes e assegurar o escoamento desse tráfego entre as redes locais, para interligar o país a Angola Telecom dispunha e ainda dispõe de uma rede de transmissão, quase que exclusivamente por via satélite.
Hoje, perante o quadro em que existe cada vez mais operadores fixos e móveis, a responsabilidade da Angola Telecom como operadora incumbente já não se resume a última milha, não se resume em instalar linhas na casa do assinante e nas empresas e disputar o número de assinantes. O papel da Angola Telecom está alterado. Hoje, a Angola Telecom deve fundamentalmente trabalhar na criação de condições para que os operadores móveis e fixos se interliguem, para que os assinantes desses operadores possam conversar com qualidade através de uma estrutura de interligação, que é a rede básica, ou por outras palavras, a Angola Telecom tem de assegurar, instalar e disponibilizar uma rede estruturante que possa cursar o tráfego de todas essas fontes que são os novos operadores.
Noutra vertente, o PDG Engº João Avelino, ressaltou, que em nenhuma parte do mundo algum operador incumbente ligado ao Estado conseguiu atingir grandes níveis de densidade e cobertura geográfica, sem a intervenção do próprio Estado e sem a intervenção de outros parceiros privados. E é nesse quadro que tem havido esforços no sentido de serem materializados projectos, quer sejam de fundos próprios da Angola Telecom quer sejam de programas de investimentos públicos suportados pelo Orçamento Geral do Estado, quer sejam ainda de financiamentos bancários ou de parcerias públicas-privadas.
Olhando para o futuro, o Engº João Avelino, disse que a instalação do backbone terrestre nas dimensões do nosso país, requere cinco a oito anos, para termos uma infra-estrutura aceitável.
"Ainda temos muito tempo pela frente para trabalhar no backbone terrestre e até lá é preciso assegurar, que as comunicações e os outros operadores funcionem com alguma qualidade. Ainda é necessário continuar a investir um pouco nas rotas por satélite e por isso a Angola Telecom continua a fazer algumas ampliações a nível das rotas domésticas por satélite através da aplicação dos multiplicadores e também está a levar a cabo um projecto que visa instalar estações novas em capitais de províncias onde ainda não existiam" rematou.
No que concerne a qualidade do serviço que é prestado em Mbanza Congo, Ndalatando e Luena, frisou que com a instalação das estações F2, todas as capitais de províncias terão o mesmo nível de transmissão.
Quanto ao backbone terrestre por fibra óptica adiantou que está quase concluída a ligação que vai do Tômbwa, Namibe, Lubango e Chibia. Também está em curso a ligação Ondjiva /Santa Clara.
Com esta ligação por fibra que é a primeira do género no país "iremos também ter a possibilidade de ter uma saída internacional através da Namíbia. Portanto, faremos uma rota também internacional por terra através da Namíbia, isso a nível do Backbone terrestre por fibra óptica", ressaltou.
Por outro lado, referiu que o backbone terrestre não é só por fibra óptica. "Há uma complementaridade entre a fibra óptica e os links por feixe hertzianos. Neste momento já estamos a trabalhar ao longo dos eixos rodoviários principais, nomeadamente, no percurso Luanda-/Benguela, Luanda/Ndalatando e Luanda/Cabinda. Estes são os principais eixos rodoviários a partir de Luanda, e se tudo correr bem, contamos dentro de um ano, ter esses três eixos concluídos. É, no entanto, de salientar que o eixo Luanda/Benguela, fica concluído ainda este ano".
Acrescentou que, "para além dessas ligações nos grandes eixos, também temos outras ligações sobre as quais estamos a trabalhar, embora não estejam tão adiantadas como as que referi atrás, mas estamos a trabalhar sobre elas. Também são para serem implementadas a curto prazo. São as ligações, Cabinda/Cacongo, Ndalatando/Malange, Ndalatando/Uíge, Huambo/Kuito, Benguela/Huambo, Lubango/Benguela, Dundo/Lucapa, Dundo/Nzage, e Ondjiva/Xangongo. Todas essas ligações terrestres pensamos serem concluídas até ao final de 2006. Ficaremos com uma malha de interligação nacional terrestre e outra malha de interligação nacional via satélite", concluiu.
Todo esse investimento no que toca as ligações, segundo o Engº João Avelino, para além de permitirem o crescimento da própria rede fixa vão também permitir, que os operadores de redes móveis possam crescer mais rapidamente em termos de cobertura geográfica e em termos de crescimento da base de clientes. Informou ainda que já há um operador que fala de Luanda/Ndalatando, que é a Movicel.
No que diz respeito à Internet, o PDG da Angola Telecom destacou a importância deste serviço para os estudantes e para o cidadão em geral.
"Há alguns meses atrás, nós procedemos a redução no nosso tarifário para os provedores de serviços Internet, que são as nossas entidades que interferem com os cidadãos que têm acesso a Internet e também celebramos um contrato com o maior provedor de Internet. Com base nesse contrato os custos anuais desse provedor foram substancialmente reduzidos em relação ao que deveria pagar à Angola Telecom.
Neste momento estamos também a estudar a possibilidade de baixar ainda mais os preços. Há uma equipa que está a estudar essa matéria.
A nível das infra-estruturas para o serviço Internet e como devem observar através da publicidade que tem sido feita pela Angola Telecom, já temos criado pontos de presença de Internet na maior parte das capitais. Isto quer dizer que os cidadãos com acesso a rede fixa já podem abrir as suas contas Internet e desta forma beneficiar deste precioso serviço" sublinhou.
Relativamente a sua massificação, referiu que é falso pensar que o problema se resume aos preços actuais, dizendo que, "no meu entender existem outros factores que também são muito importantes, tais como o poder de compra do cidadão, a energia eléctrica, dentre outros. Sem dinheiro, o cidadão não pode comprar o computador para ter acesso a Internet, ainda que tenha uma linha da Angola Telecom".
Aponta como solução os cyber cafés, mas questiona, quantos cyber cafés existem nas diversas localidades do nosso país? Quantas escolas têm um cyber café mesmo tendo linha da Angola Telecom? O cyber café também tem diversos tipos de problemas, o problema da própria comodidade, o problema dos horários e disponibilidade das pessoas de irem ao cyber café, entre outros.
Por outro lado, disse que, "o cidadão pode ter a linha da Angola Telecom, pode ter algumas economias que o permitam comprar um computador, mas infelizmente a disponibilidade da energia eléctrica pública em casa também é quase nula e nem toda gente tem possibilidades de comprar um gerador. Há toda uma série de constrangimentos. Não se pode ver o problema da massificação da Internet resumida nos preços. Temos ainda o problema da manutenção. As empresas que fazem a manutenção de computadores, têm preços exorbitantes. Na massificação da Internet existem vários factores que de alguma forma afectam de forma negativa o processo de massificação tornando-o mais lento".
Referindo-se a convergência tecnologia, o Engº João Avelino, referiu que, "no meu entender estas exigências, são forçadas pelo mercado, ou seja pelas necessidades e exigências dos clientes. Esta convergência tecnológica também só está sendo possível graças a um outro factor muito importante que se chama digitalização. Nós estamos na era da geração digital a nível da sociedade, das telecomunicações, da industria e serviços, da multimédia, portanto estamos noutra era".